domingo, 1 de maio de 2016

Capitão América: Guerra Civil (2016)


GUILHERME W. MACHADO


Como fã de quadrinhos - e uma pessoa com apego nostálgico aos super-heróis, que perderam magia na mesma medida em que foram ganhando popularidade -, reconheço minha completa predisposição em sair satisfeito do cinema após ver esse filme. Capitão América: Guerra Civil é um filme cheio de conflitos (cada personagem carrega os seus, fora aqueles que concernem a todos), com uma carga de adrenalina bem elevada e [rasos] embates filosóficos sobre o autoritarismo – semelhante nisso ao seu predecessor, Capitão América: O Soldado Invernal – que, na leveza da proposta, em nada machucam.

(Texto SEM SPOILERS)

É impressionante como os irmãos Russo obtiveram sucesso na enlouquecedora tarefa de balancear todos esses personagens de habilidades diversas e níveis bem distintos de força num mesmo filme de menos de 2h30. Cada personagem teve o seu devido espaço e suas motivações são bem claras, o que foi fundamental na dinâmica do grande conflito no aeroporto, que não abre espaço para a gratuidade recorrente do cinema de super-heróis atual. Evidentemente que esse é um trabalho já construído por todo universo cinematográfico da Marvel até o presente, que, embora irregular, dá uma base sólida aos personagens e à própria trama.
Capitão América: Guerra Civil é, de muitas formas, o filme síntese desse universo até então. Ausências à parte – dois seres particularmente fortes tiveram de ser preservados por motivos lógicos –, praticamente todos personagens são reunidos nessa saga épica, que apresenta-se como uma inevitável resposta aos eventos construídos ao longo de filmes como Vingadores (os dois) e Capitão América 2. Guerra Civil traz essa urgência de assuntos mal resolvidos do passado como estopim para a desestruturação, possivelmente irreparável, do grupo de heróis.

Possivelmente o conceito que mais me atraiu na obra não envolve diretamente os heróis. Precisou de um simples ser humano (não alguns, um só), com a motivação certa, não um semideus renegado ou um sistema de inteligência artificial psicótico, para realmente desmanchar esse grupo de seres sobrenaturalmente fortes. O roteiro, claro, foi muito bem amarrado nessa trama psicológica. Não é a destruição massiva ou as ambições cartunescas (destruição do mundo, blá, blá, blá) que têm a vez aqui; Capitão América: Guerra Civil, não é, aliás, um filme de vilões ou mocinhos, eles simplesmente não existem aqui. Todos personagens agem de forma compreensível de acordo com aquilo que acreditam ser a coisa certa, e isso é um grande achado.

Enfim, reconheço prontamente que não tenho isenção para encarar esse filme como eu encaro os outros. Não sou exatamente um fã inveterado de quadrinhos, não acompanho todas notícias referentes a esse universo nem sei todas referências de cabeça, mas tenho sim uma atração forte pela mitologia dos super-heróis, seja nos quadrinhos, nos desenhos animados, no cinema, onde for. Não fecho, portanto, esse texto com uma nota – como sempre o faço – por não achar ser ela um elemento realmente retórico nesse caso.


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