sexta-feira, 20 de junho de 2014

A Completude do Cinema de Paul Thomas Anderson




De todas as formas de arte, o cinema, sem dúvidas, é uma das mais complexas no que diz respeito à quantidade de elementos envolvidos, se não for a mais complexa. Um filme é feito a partir de uma enorme fusão de expressões artísticas, de tal forma que, para sua realização, é mandatória a participação de uma grande variedade de profissionais específicos (diretor de arte, cinematógrafo, músicos, atores, diretor, roteirista, montador, produtor, editor de som, etc). Nessa realidade, não é possível exigir maestria técnica em todos esses setores para que um filme seja bom - sem dúvidas, já foi provado que ele pode sê-lo mesmo sem aproveitar o máximo que o cinema oferece, desde que tenha seu ponto forte focado em algumas dessas áreas de atuação. Assim como é verdade que um filme feito por profissionais de alto nível e com amplos recursos não tem, necessariamente, sua qualidade garantida.

Tendo isso em mente, é impossível não se admirar com a proeza técnica e autoral alcançada por Paul Thomas Anderson em Sangue Negro (2007). Embora a referida obra não seja, ao meu ver, sua melhor, ela é - certamente - sua mais completa. A maestria com que Anderson dominou todos seus recursos, assim como a profundidade dramática que consegue alcançar em seus filmes, chega a ponto de remeter ao cinema de Kubrick - ainda que, evidentemente, em menor escala. A sintonia entre todos elementos componentes do filme resulta em uma obra prima poderosa e autoral que sintetiza várias qualidades desse habilidoso cineasta.


Dentro do hall de qualidades do filme, destaco - fora o talento notável de Paul Thomas Anderson, que já é conhecimento comum, e não tenho a intenção de ser repetitivo - três elementos chave: a fotografia espetacular que mostra deifinitivamente que o filme (nesse caso específico, o 35mm) ainda pode ser superior ao digital; a trilha sonora, uma das mais criativas e envolventes trilhas originais que já ouvi, tendo enorme participação na força sensorial do filme; e, claro, a atuação fenomenal de Daniel Day-Lewis  que dá coerência a história e é o centro da complexidade emocional e dramática do filme (que é, em sua essência, um grande estudo de personagem). Os trechos a seguir falam por si só.












Escolhi esses três, dentro de muitos outros momentos marcantes do filme, pois creio que exemplificam bem não apenas as qualidades tão impressionantes de Sangue Negro, mas do cinema de Paul Thomas Anderson em geral. O mesmo tópico poderia ter sido feito utilizando Magnólia (1999) ou Boogie Nights (1997); utilizei Sangue Negro como objeto central para analisar as qualidades de PTA, todavia, apenas por tê-lo visto mais recentemente que os outros dois.


Texto de: Guilherme W. Machado

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